image du film.BB + MARILYN = GODARD + PREMINGER

Année : 2013. Durée : 1 H 33'

Fiche technique :
Réalisation, concept, montage : Gérard Courant (à partir de : Le Mépris de Jean-Luc Godard et River of no return de Otto Preminger).
Production : Les Amis de Cinématon, Les Archives de l’Art Cinématonique, La Fondation Gérard Courant.
Diffusion : Les Amis de Cinématon.
Fabrication : Septembre 2012-février 2013 à Montreuil-sous-Bois (France).
Format : Vidéo.
Cadre : 2,35.
Procédé : Couleur.
Collections publiques :
-BNF (Bibliothèque nationale de France), Paris (France).
-Cinémathèque de Bourgogne-Jean Douchet, Dijon (France).
Première diffusion publique : 23 juin 2017, Cinemateca Portuguesa, Lisbonne (Portugal).
Principaux lieux de diffusion :
-Cinemateca Portuguesa, Lisbonne (Portugal), 2017.
Dédicace : Le film est dédié au producteur Darryl F. Zanuck.

Présentation >>>

BB + Marilyn = Godard + Preminger est la rencontre cinématographique, enfin rendue possible par Gérard Courant, de Brigitte Bardot avec Marilyn Monroe, les deux icônes du cinéma des années 1950, que le cinéaste a réunies en un même film en surimpressionnant deux de leurs oeuvres : Le Mépris (1963) de Jean-Luc Godard avec Brigitte Bardot et River of no return (1954) de Otto Preminger avec Marilyn Monroe.

Critique >>>

BRIGITTE BARDOT E MARILYN MONROE

Em 2013, Gérard Courant realizou nada menos do que três filmes à volta de Brigitte Bardot, na linha dos filmes sobre o cinema que trabalham sobre obras clássicas e formam um dos filões mais conhecidos e abundantes do cinema contemporâneo. Nestes três filmes, Courant mistura dois filmes clássicos, atingindo sempre a duração de uma longa- metragem do período clássico, 90 minutos. Em BB + Marilyn = Godard + Preminger, assistimos ao encontro de dois dos maiores ícones femininos do cinema de finais dos anos cinquenta, Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, num trabalho que sobrepõe ...River of no Return, de Otto Preminger e Le Mépris, de Jean-Luc Godard.

(Antonio Rodrigues, Cinemateca Portuguesa, 1er juin 2017)



READY-MADE

BB + Marilyn = Godard + Preminger poderá ser descrito como um “filme-conceito” ou um “filme-tese” que, partilhando a cinefilia do primeiro Cinématon da sessão, desenvolve de forma linear o conceito que está na sua base. O próprio Courant descreve-o como o “encontro cinematográfico de Brigitte Bardot e de Marilyn Monroe, os dois ícones do cinema dos anos cinquenta”. Tal “encontro” e o “encontro” dos seus dois grandes autores (Jean-Luc Godard e Otto Preminger) será realizado de um modo bastante literal, pois Courant tira partido das potencialidades da montagem digital para sobrepor inteiramente Le Mépris (1963), de Godard, e River of no Return (1954), de Preminger, dois filmes que mostrará em conjunto do início ao fim de ambos, coincidindo as suas durações, como coincide a duração de grande parte das longas-metragens do período clássico com a sua habitual hora e meia.

Não falamos de um encontro, mas de múltiplos encontros pois, entre os créditos iniciais e finais dos dois filmes, são muitos os momentos em que as personagens de ambos se cruzam, sobressaindo ou apagando-se mutuamente, consoante o protagonismo que lhes é conferido pelas cores e pelo contraste de cada um dos filmes. Poderemos falar de encontro de personagens, de cineastas e de filmes, mas também poderemos falar de conflito entre os seus planos, pois é à custa do apagamento de uns (na sua diluição no negro) que sobressaem os outros. Ou é à custa do apagamento de parte de uns que sobressai parte de outros, pelo que BB + Marilyn = Godard + Preminger é um filme feito de imagens dentro de imagens, enquadramentos dentro de enquadramentos e de permanentes sobre-enquadramentos. Imagens fantasmáticas que conhecemos, que se desvanecem noutras imagens, mas que não deixamos de adivinhar. Pensamos por exemplo na sequência introdutória de Le Mépris em que imaginamos as imagens de Bardot deitada por detrás do genérico de River of no Return, que só ao fim de algum tempo as deixará aparecer. Encontro/conflito no plano da imagem que se reproduz num encontro/conflito ao nível do plano sonoro, em que sons, música e diálogos em várias línguas se anulam ou encontram, provocando verdadeiros momentos de excepção.

Este não é um gesto isolado pois, já antes deste filme, também em 2013, Courant terá adoptado o mesmo dispositivo em BB + BB, filme que sobrepunha Et dieu créa la femme, de Roger Vadim (1956) e Le Mépris, e terá ainda sobreposto Et dieu créa la femme e River of no Return em BB + Marilyn = Vadim + Preminger. Um gesto cinéfilo que tem muito de lúdico, mas que reenvia também para uma determinada apropriação do cinema por parte de um conjunto de artistas plásticos verificada nos últimos anos, como o caso de Douglas Gordon e o seu famoso 24 Hours Psycho que, apropriando-se do filme de Hitchcock apostou na sua extrema dilatação. Filmes que, na sua atitude elegíaca, têm em comum uma ideia de “ready-made” que, de alguma forma, atravessa também os Cinématons.

(Joana Ascensão, Cinemateca Portuguesa, 23 de Junho de 2017)

 


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